domingo, 17 de dezembro de 2017

Novos velhos tempos

O país quebrou
mas o presidente solucionou
A escravidão se regularizou
Agora vamos ter aonde trabalhar
Sem água, comida ou dinheiro pra nos pagar.
Mas o importante é que esse problema o presidente solucionou.

O país quebrou
mas o presidente solucionou.
Não precisamos de acesso, cultura ou escola pra estudar
Muito menos professor pra ensinar
E quem dirá merenda pra lanchar.

O país não quebrou
Agora que ele vai alavancar
Grandes acordos internacionais, tratados mundiais, fim de reservas ambientais
alianças partidárias, mais negros pobres nas penitenciárias.
Que sorte a dos brasileiros ter alguém tão útil pra essa sangria estancar.

O Estado quebrou
Em consequência o salário está mais mínimo que o mínimo
Mas o presidente tudo reformou
Minimizou o tempo de almoço, maximizou o tempo do trabalho
Que sorte a nossa ter alguém capaz de consertar esse sistema falho.

A pátria amada não quebrou
Continua a ser idolatrada,
Explorada e desmatada.
Com toda sua ordem, amor e progresso
Onde países ricos têm fácil acesso.

Os país se partiu
e o se deu o novo presidente do Brasil.
Uns pedem por intervenção militar, outros pedem pelo direito de estudar, de se sustentar.
Uns dizem que os que pedem estão pedindo demais, outros vão dormir pra enganar a fome
porque comida já não tem mais.

sábado, 28 de outubro de 2017

Tarja preta

A tarja preta
Tarja as pretas
As curvas, as silhuetas
As tetas.
As bocas
negras.

A tarja preta
pesa mais que chá de trombetas
cerca mentes fechadas
onde o preconceito já tem varanda, casa e piscina instalada.

A tarja preta
censura
esconde, cala,
julga.

As narjas excretam
mas nada mais me afeta
pois contra o preconceito criei anticorpos
nenhuma tarja preta
irá censurar
vidas
negras.


domingo, 22 de outubro de 2017

por fotos eu vi
com os olhos desejei 
com meus dedos ligeiros escrevi:
me deixe te chupar inteira,
pele sobre tela
lambida nos seios
pele sobre ela 
com ele no meio.


Por ti faria 
toda 
patifaria 

Eu sempre quis

Eu sempre quis
A vontade, o ensejo, o desejo
Nisso me fiz
Em tudo fui despejo.

Despejei minhas meias verdades
Regurgitei o que me engolia
Esvaziei-me
Colhi mentiras inteiras
Apanhei ilusões verdadeiras
Esvaziei-me.

Eu sempre quis.

"Essa menina está cheia do querer", diziam
Eles mal sabiam
que eu sempre quis,
e que sou feita do querer.

Quis tanto, mas tanto... que fiz
Desprendi minha raiz
E fui ver o porquê de tanto querer
Me descobri aprendiz do viver,
Mergulhei naas extensões do meu ser
 
Eu sempre quis
E quero muito mais.