Ando sozinha me sentindo insegura e infeliz, durmo sozinha me sentindo solitária e infeliz, como sozinha me sentindo gorda e infeliz. Falo sozinha me sentindo louca, solitária e infeliz. Tomo banho me sentindo limpa e infeliz, sorrio me sentindo tola e infeliz, assisto desenho animado sozinha me sentindo completamente desanimada.
Cai. Me machuquei feio.
Pela primeira vez não me senti sozinha. Senti dor, mas me senti feliz.
sábado, 5 de janeiro de 2013
As vezes quando vejo o vestígio da luz do sol iluminando um pedaço de calçada, a luz artificial borrada pelo pedaço da cortina do banheiro branco com flores rosas, o canto enlouquecedor do periquito na cozinha, o choro do bebê desesperado. As vezes- quase sempre- me dá uma enorme vontade de chorar. Não choro.
Por que?
Acho que tenho medo de ser ridícula. Medo de ser ridícula em público.
Por que?
Acho que tenho medo de ser ridícula. Medo de ser ridícula em público.
sábado, 22 de dezembro de 2012
Decepção.
Se perguntava o que os homens tanto conversavam na mesa de bar. Por que seu noivo demorava tanto para voltar pra casa quando dizia que ia ao bar tomar "aquela gelada" com os amigos.
Descobriu.
Não descobriu exatamente o que eles conversam na mesa de bar, mas descobriu o que conversam quando estão tomando "aquela gelada". Não descobriu exatamente o que conversam todos os homens, mas descobriu o que seu noivo e seus amigos conversam.
Conversam água. É, água!
Foi a pior descoberta que teve.
Descobriu.
Não descobriu exatamente o que eles conversam na mesa de bar, mas descobriu o que conversam quando estão tomando "aquela gelada". Não descobriu exatamente o que conversam todos os homens, mas descobriu o que seu noivo e seus amigos conversam.
Conversam água. É, água!
Foi a pior descoberta que teve.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
E mais uma vez tu me fez chorar. Me fez chorar por saber mais, por ser mais, ter mais. Não chorei por inveja, mentira. Chorei por inveja, chorei de raiva, chorei de alegria.
Primeiro, como entrou aqui e por que fez isso? Como entrou aqui dentro de mim e saiu abrindo todas as portas, janelas, gavetas fechadas de dentro de mim? Por que escolheu logo a mim para ser tua vítima?
Não entendo.
Você me fez chorar. Chorei porque tu me conhece melhor que eu. Não me reconheço. Não me conheço. Nunca me conheci. Chorei de raiva. Quem te deu o direito de saber mais de mim? Quem te deu o direito de saber alguma coisa sobre mim?
Não posso mais fazer nada, já tá tudo aí... revelado. Você sabe o lixo humano que sou e ainda tá aqui. Por quê? Eu não te mereço, nunca te mereci e soube desde sempre. Mentira, nunca soube de nada.
Não te mereço porque foi a única pessoa que conseguiu me fazer chorar.
Primeiro, como entrou aqui e por que fez isso? Como entrou aqui dentro de mim e saiu abrindo todas as portas, janelas, gavetas fechadas de dentro de mim? Por que escolheu logo a mim para ser tua vítima?
Não entendo.
Você me fez chorar. Chorei porque tu me conhece melhor que eu. Não me reconheço. Não me conheço. Nunca me conheci. Chorei de raiva. Quem te deu o direito de saber mais de mim? Quem te deu o direito de saber alguma coisa sobre mim?
Não posso mais fazer nada, já tá tudo aí... revelado. Você sabe o lixo humano que sou e ainda tá aqui. Por quê? Eu não te mereço, nunca te mereci e soube desde sempre. Mentira, nunca soube de nada.
Não te mereço porque foi a única pessoa que conseguiu me fazer chorar.
sábado, 8 de dezembro de 2012
É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.
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