sábado, 3 de agosto de 2013

Gargalho minhas tristezas com a esperança de que tudo de bom possa me acontecer, cuspo minhas decepções para que elas não possam mais voltar. Vivo numa ilusão de que tudo isso funciona, mas isso não é uma frustração. Caguei minhas frustrações pro resto do mundo.
Me desculpem por infectá-los mas ninguém é tão bom sempre. Ninguém é tão bom.
Me desculpem por matar os peixes que nadavam tranquilamente. Os matei de raiva. Eu tinha que jogar minha raiva em algum lugar.
Sei que não vou para o latíbulo, sei que não vou tomar um café levemente adocicado com deuses. Sei que se eu for tomar um café será amargo como o gosto das gargalhadas ecoadas aos sete ventos.
Me desculpem por matá-los aos poucos, por encher a paciência.
"Seremos apenas uma lembrança vaga na cabeça do outro?"
Sinto muito por não sentir nada, meu bem. Desculpa.

domingo, 30 de junho de 2013

Vou escrevendo errado em linhas retas
Vou escrevendo merda em linhas inexistentes
Vou escrevendo por escrever
Pra ver se sai algo bom
Pra ver se eu tenho algum dom.
Vou escrevendo e cagando toda minha vida.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Na avenida os carros passam a todo vapor
Sem timidez ou por favor
No quarto, estou debaixo do cobertor
Lá fora, o calor já passou
Da janela, vejo tudo
Vejo as luzes, vejo o céu, vejo o mundo
Só não vejo você
Na avenida o barulho não cala
A lua não apaga
Você não passa.
Na avenida o orelhão toca sempre a mesma hora
E se eu atender agora
Será que você vai falar Oi?
Tô sozinho nesse barco
Tô sozinho nesse mar
Tô sozinho nessa ilha
Vou sozinho navegar
Você tá nesse coco que bebo
Você tá nesse poema que escrevo
Nesse chão que durmo
Você tá no cuspe que engulo
Você tá aqui
Você tá ali
Você tá lá
Você tá longe.
Eu to sozinho nessa cozinha escura
Você tá nessa cachaça pura
Eu tô sozinho na sombra
Você tá no vento que sopra
Eu tô sozinho nesse não
E você não tá aqui pra apertar minha mão.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Puta vida!
Puta é você que fodeu minha vida
Cobrou minha alma,
Levou minha alma
Levou como se nada tivesse acontecido
Só mais uma fodida nesse dia chuvoso
Puta chuva!
Puta bonita
Puta
Que de puta só tem a esperteza
Puto eu!
Tô puto, sou puto.
Tu, sua puta, me transformou em um puto sem alma.
Puta merda!

sábado, 4 de maio de 2013

Me perco na tua voz
Me perco na esquina da tua casa
Me perco na canção do Chico Buarque
Me perco
Na espera que tu me ache
Me perco no carrinho de churros
Me perco no grampo que prende teus fios da nuca
Me perco no medo
Que tu não me ache nunca
Me perco sempre
Vivo me perdendo por aí
Confiando que vai procurar partes de mim
Me perco
E quem vai me achar?